Kyle Walker fala sobre a transferência e admite arrependimento

A difícil decisão de deixar o futebol inglês

O experiente defesa inglês Kyle Walker, atualmente com 35 anos, abriu o coração ao falar de um dos momentos mais polémicos da sua carreira: a transferência para o AC Milan, realizada em janeiro de 2025. Em entrevista à Sky Sports, o jogador do Burnley e internacional pela seleção inglesa refletiu sobre esta decisão que, segundo o próprio, foi tomada num momento de frustração e vontade pessoal de continuar a jogar com regularidade.

“Valeu a pena sair? Olhando para trás, percebo que provavelmente não. Devia ter ficado perto dos meus colegas de equipa, dos meus amigos e das pessoas que considero a minha família”, confessou Walker. “Mas, talvez pela primeira vez na minha carreira, fui egoísta. Estava a pensar em mim e em voltar a jogar futebol.” As palavras do veterano jogador ecoaram no mundo do futebol inglês, onde Walker é respeitado não só pelo seu talento, mas também pelo seu percurso exemplar. Depois de anos de sucesso no Manchester City, onde conquistou múltiplos títulos da Premier League e a Liga dos Campeões, a mudança para o Burnley representou uma nova fase da sua carreira. No entanto, a ida para o Milan marcou um ponto de viragem inesperado — uma escolha pautada mais pela emoção do que pela razão.

A difícil decisão de deixar o futebol inglês

Durante a conversa, Walker admitiu que o período que antecedeu a transferência foi um dos mais complicados da sua vida profissional. Apesar de se sentir bem fisicamente e confiante nas suas capacidades, o defesa via-se com cada vez menos minutos em campo no Burnley. “Foi frustrante estar no banco e só jogar ocasionalmente”, explicou. “Senti que ainda tinha algo a provar, que ainda podia competir ao mais alto nível. Eu não queria terminar a minha carreira sentado a ver os outros jogarem.”

Essa vontade de continuar ativo acabou por ser o fator decisivo na mudança para o Milan. A proposta do clube italiano, que buscava reforçar a defesa com experiência e liderança, pareceu uma oportunidade perfeita. Walker viu nela a hipótese de reviver os grandes momentos da sua carreira, jogando num dos clubes mais históricos do mundo.

Uma carreira marcada pela glória e resiliência

Contudo, a realidade em Milão acabou por ser diferente do esperado. O jogador enfrentou dificuldades de adaptação ao futebol italiano, marcado por um ritmo tático e defensivo muito distinto do estilo inglês. Além disso, lesões e a forte concorrência interna limitaram as suas aparições em campo. “Achei que seria mais fácil integrar-me, mas o campeonato italiano tem as suas próprias exigências. É um estilo completamente diferente, e talvez eu não estivesse preparado para isso”, admitiu.A sinceridade de Kyle Walker ao reconhecer o “egoísmo” da sua decisão conquistou o respeito de muitos adeptos. Para o defesa, querer jogar mais não é um erro, mas sim uma necessidade que faz parte da essência de qualquer atleta competitivo.

“Não acho que seja um mau motivo”, disse. “Todo jogador quer estar em campo, sentir a bola, contribuir para a equipa. Mas, ao mesmo tempo, percebo que deixei para trás pessoas que acreditavam em mim. Isso é algo que, com o tempo, aprendi a valorizar mais.” Walker sublinhou que a decisão de sair do Burnley não foi apenas profissional, mas também emocional. Após anos de convivência com companheiros de equipa e treinadores que se tornaram próximos, o jogador confessou ter sentido falta do ambiente familiar do futebol inglês. “O Burnley tem algo especial. É um clube com alma, com pessoas que se importam de verdade. Quando deixei aquele vestiário, senti que estava a deixar uma parte de mim.”

Uma carreira marcada pela glória e resiliência

Com mais de 15 anos de carreira profissional, Kyle Walker construiu um percurso que poucos jogadores conseguem igualar. Formado no Sheffield United, o lateral rapidamente ganhou destaque e foi contratado pelo Tottenham Hotspur, onde se afirmou como um dos melhores laterais da Premier League. A transferência para o Manchester City, em 2017, elevou o seu nome ao patamar dos grandes. Sob o comando de Pep Guardiola, Walker tornou-se uma peça-chave numa das equipas mais dominantes da história recente do futebol inglês. A sua velocidade, força física e versatilidade defensiva fizeram dele um símbolo de consistência e dedicação.

Ao longo dos anos, conquistou cinco títulos da Premier League, duas Taças da Liga, uma FA Cup e, finalmente, a tão desejada Liga dos Campeões em 2023. Pela seleção inglesa, representou o país em Europeus e Mundiais, sendo reconhecido pela sua disciplina tática e pela liderança discreta, mas firme. Mesmo aos 35 anos, Walker continua em excelente forma física, demonstrando que o tempo não apagou a sua ambição. A passagem pelo Milan, embora breve e emocionalmente atribulada, representa mais um capítulo da sua longa história com o futebol — uma história de altos e baixos, mas também de coragem e autoquestionamento.

Kyle Walker